Sopros

Um sopro. Dois sopros. Sopramos

Cota Azevedo

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Aldrava é uma peça móvel, geralmente uma argola feita de ferro fundido, que se prende a portas e portões e que, quando batidas contra a peça fixa, serve para chamar a atenção de quem se encontra do lado de dentro. Aldrava também pode ganhar significações poéticas: pedido para que a tranca se abra e se perceba a anunciação da boa nova. Uma história-fragmento que só se conclui com o olhar do receptor. As aldravias são formas poéticas minimalistas de seis palavras, em que cada uma delas assume o papel de um verso. Seis palavras, seis versos, nenhuma pontuação e muitas possibilidades significativas. O vocábulo aldravia (criado por Andreia Leal) tem origem em “aldrava”, seis batidas-palavras que têm a função de chamar a atenção de quem se encontra trancado. Aqui, como SOPROS que ecoam.

Os poemas aldrávicos surgiram de um movimento brasileiro, nascido nas cidades históricas mineiras, no final do século XX, e agora deságuam no mar e SOPRAM diálogos transfigurados. A exposição SOPRO S apresenta a palavra metamorfoseada em figura. É o resultado do diálogo entre artes-irmãs: pintura e poesia. A imagem encontra a palavra que ressona em pura expressão. Seja na visão existencial de mundo ou da intimidade das obras, é possível quase que tatear o sentimento.

As pinturas surgem das Aldravias tituladas de FERNANDO AZEVEDO, que condensam a poeticidade na simplicidade, portas abertas à interpretação. O poema, ideias iniciais, é absorvido, sutilmente, na pintura de COTA AZEVEDO.

Cota Azevedo é artista e jornalista, e tem como linguagem central do seu trabalho a expressão, que pode ser observada na corporeidade das cores e das camadas de tintas: obras táteis. Seu tema mais recorrente é o corpo humano, surpreendido em posições que revelam emoções inesperadas, na imprecisa fronteira entre abstração e figuração.

As obras possuem uma narrativa aberta, não limítrofe, que tenta abarcar a natureza do que é humano. Não há um desfecho conclusivo. A porta de entrada foi escancarada, agora, o olhar/sopro do espectador é o finalizador das peças.

Que os sopros se façam vento. Que o vento seja bom.

Cota Azevedo

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