Marcos Paulo Jones Maciel é artista visual e fotógrafo da Baixada Fluminense, com pesquisa voltada à fotografia contemporânea, à imagem expandida e às relações entre território, memória, corpo, matéria e temporalidade. Sua produção parte da observação de paisagens, estruturas e superfícies atravessadas pelo uso, pelo abandono e por processos de transformação, articulando o registro fotográfico a procedimentos experimentais como sobreposição, fotomontagem, colagem, intervenção pictórica, assemblagem e incorporação de objetos encontrados.
Em sua pesquisa autoral, destaca-se a série Desgaste, na qual investiga as marcas do tempo sobre o corpo, a paisagem e a matéria. Ferrugem, corrosão, fissuras, estruturas ferroviárias, fragmentos corporais e objetos descartados constituem um repertório visual que aproxima pele e metal, fragilidade e resistência, presença e desaparecimento. O trabalho também se expande para uma dimensão objetual, com pinturas realizadas sobre as fotografias, uso de tonalidades relacionadas à oxidação e incorporação de materiais reciclados e encontrados no descarte. Nesse processo, a própria fotografia passa a adquirir corpo, textura e espessura.
Em Desgaste, Marcos compreende corpo, imagem e matéria como arquivos instáveis, superfícies nas quais o tempo produz marcas. Sua investigação também estabelece diálogos com questões ambientais, obsolescência, mobilidade, vulnerabilidade e permanência, compreendendo o reaproveitamento de materiais não apenas como recurso plástico, mas como operação poética de ressignificação. O desgaste deixa, assim, de representar somente deterioração e passa a ser entendido como uma forma de inscrição da experiência e da memória.
Sua produção fotográfica vem circulando por exposições e projetos de artes visuais, com trabalhos apresentados em espaços como Arles/França, Tiradentes/MG, Paraty/RJ, Amparo/SP e Rio de Janeiro/RJ. Também desenvolve o Varal BXD Fotográfico, projeto dedicado à circulação da fotografia e à construção de narrativas visuais a partir da Baixada Fluminense.
Sua prática busca tensionar os limites entre fotografia, pintura e objeto, entendendo a imagem não apenas como registro, mas como espaço de elaboração simbólica. Entre vestígios, corpos e matérias em transformação, Marcos constrói uma poética interessada naquilo que resiste ao apagamento e continua produzindo sentidos mesmo depois de desgastado.



